quarta-feira, 30 de setembro de 2009

had to be you.

Começou como uma melodia suave, lenta, sutil, com poucas notas, mas com vontades e aspirações de épico Clássico, ou de imponente Progressivo. Aos poucos foi ficando mais ritmada, mais complexa e completa, intensa como um Tango, talvez. Tornou-se ácido, melancólico, e puramente lindo, como um solo fritado de Jazz.

Penso agora em tudo que restou da nossa musica.
Penso em nossos planos, nossos sonhos, nossas vontades...
o excesso de café; as conversas; a musica; os seus monólogos sobre filosofia e sociologia, os meus sobre ciências; as comidas; as besteiras; a pele, o cheiro, os gostos, o toque; os longos almoços de domingo regados a grandes quantidades de vinho; as suas sessões de autismo tocando suas guitarras; a minha preguiça constante; o são bernardo; a casa com 2 escritórios; os seus defeitos, os meus; a segregação do clube; a enorme biblioteca que montaremos; a vida que planejamos.

Quero aprender francês e te ensinar alemão, compor a quatro mãos, dirigir o uninho amassado na sua companhia até onde eu tiver vontade, te ver graduado, mestre, doutor, livre-docente em todas aquelas coisas que eu nunca vou entender, conhecer o velho esquisito e quem disse que eu sou exatamente como ela imaginava, continuar sendo a favor da sua mãe e do seu pai para poder ser contra você e te deixar irritadinho, dizer que nossos papeis são trocados e fazer as pessoas acreditarem nisso, e todas as outras coisas que são tão particulares e tão próprias e de que tanto faço gosto.

Espero que você consiga encarar esse momento como um intervalo em uma grande opera e não como o bônus track do CD de uma banda que acaba de se desfazer. E que essa pausa possa acabar, assim que os músicos estiverem prontos para entrar no palco novamente.

domingo, 27 de setembro de 2009

recomeçando.

ONTEM

Ontem eu quis me jogar de uma sacada no sétimo andar.
Não que eu quisesse acabar com a minha vida, não que eu não goste dela, eu até gosto. Só queria ver a reação das pessoas.
Uma intensa necessidade de ver quem sofreria, quem choraria falsamente, quem não se importaria. Uma atitude plenamente egoísta, eu sei, mas às vezes é preciso ser, ao menos um pouco egoísta...
Eu via as pessoas passando lá embaixo e me perguntava quanto tempo demoraria até alguém perceber a minha ausência.

“Um cara morreu no metrô em Los Angeles e demorou 6 dias até que alguém percebesse.”

Sentia o vento no meu rosto e desejava os poucos segundos de liberdade que eu teria durante a queda.
Clichê? Nem sei mais...
A insônia havia consumido meu sono há umas 9 noites, a falta de apetite por comida e pela vida me acompanhava há algumas semanas.
E eu continuava ali, olhando para qualquer coisa, distraidamente.
Mas por sorte, ou falta dela, tive que voltar, as pessoas chegavam para o almoço e eu precisava usar algo que ainda existia em mim, a educação.
Disfarcei minha angustia, como de costume, mas os olhares que me seguiam pareciam saber exatamente o que se passava.
Queria que alguém me percebesse, me visse e me desse a mão, para que a ânsia de acabar com aquilo não me vencesse.
E então eu senti seus braços me envolverem e não mais consegui me conter, desisti.
Depois do desespero veio o medo. Medo esse de ter pensado isso, de não ter saído da sacada a tempo, de ter chegado a esse extremo.
E a tristeza, de ter visto em seu olhar o quanto lhe doía ouvir e ver meu sofrimento.
Arrependimento, talvez, de ter tido a vontade, de ter lhe falado, de não ter tido coragem de resolver os problemas antes que eles ficassem assim.
Agora já não tenho mais essa vontade estúpida e egoísta. Mas ainda há o receio, de que da próxima vez, caso ela venha a acontecer, não tenha ninguém ali.